Um teste de sopro com muita informação
Na espirometria, o trabalhador enche os pulmões ao máximo e sopra o mais forte e rápido possível em um bocal ligado ao espirômetro. O aparelho mede o volume de ar expelido e a velocidade com que ele sai. Com esses dados, o médico avalia se há sinais de obstrução, como acontece na asma e na bronquite, ou de restrição, quando os pulmões perdem a capacidade de expansão.
Na saúde ocupacional, o exame tem duas utilidades: conhecer a função pulmonar do trabalhador na admissão e acompanhar se ela muda ao longo dos anos de exposição.
Para quem o exame é indicado
A indicação vem do inventário de riscos do PGR e do PCMSO. Os casos mais frequentes são:
- Expostos a poeiras minerais, como sílica em pedreiras, marmorarias, cerâmicas e construção civil.
- Trabalhadores em contato com poeiras orgânicas, como grãos, farinha, algodão e madeira.
- Soldadores e funções com fumos metálicos.
- Expostos a vapores e gases irritantes em indústrias químicas, de limpeza e de tintas.
- Usuários de respiradores, quando o médico avalia a capacidade de usar o equipamento.
- Bombeiros civis e brigadistas, conforme definição do PCMSO.
Passo a passo do exame
- Orientação prévia. No agendamento, o trabalhador recebe as instruções de preparo, que incluem evitar esforço intenso e cigarro antes do exame.
- Dados iniciais. São registrados peso, altura e informações de saúde, usados no cálculo dos valores esperados.
- Manobras de sopro. Com um clipe nasal, o trabalhador faz várias tentativas, guiado pelo avaliador, até obter curvas de boa qualidade.
- Teste com broncodilatador, se indicado. Em alguns casos, o médico pode pedir a repetição após o uso de medicamento inalatório.
- Laudo. As curvas são analisadas e o resultado é encaminhado para o médico do trabalho.
Informe no agendamento se teve cirurgia recente no tórax, no abdome ou nos olhos, infecção respiratória recente ou problema cardíaco. Nessas situações, o exame pode precisar ser adiado.
O que o resultado mostra
| Padrão | O que pode indicar |
|---|---|
| Dentro do esperado | Função pulmonar compatível com o previsto para a pessoa |
| Padrão obstrutivo | Dificuldade na saída do ar, como em asma ou bronquite |
| Padrão restritivo | Redução do volume pulmonar, que exige investigação complementar |
A espirometria não fecha diagnóstico sozinha. Em expostos a poeiras minerais, ela costuma ser acompanhada do raio-X de tórax padrão OIT, que mostra alterações na estrutura dos pulmões.
O que a empresa recebe
- Laudo da espirometria com as curvas e a interpretação.
- Comparação com exames anteriores, quando existirem.
- Informação considerada pelo médico na conclusão do ASO.
Fumantes e ex-fumantes
O tabagismo é a principal causa de alterações obstrutivas na espirometria, e isso pode confundir a leitura de um exame ocupacional. Por isso o médico sempre registra o histórico de fumo do trabalhador. A combinação de cigarro com exposição a poeiras ou fumos aumenta muito o risco de doença pulmonar. O exame é um bom momento para conversar sobre isso: muitos trabalhadores só se dão conta do impacto do cigarro quando veem a própria curva. Se for de interesse, o trabalhador pode receber orientação para buscar apoio para parar de fumar.
Espirometria e proteção respiratória
Quando a espirometria mostra piora em um grupo de trabalhadores do mesmo setor, o sinal é coletivo: o controle do ambiente ou a proteção respiratória precisam ser revistos. A MT13 pode apoiar a empresa com o Programa de Proteção Respiratória e com o ensaio de vedação dos respiradores. Agende pelo WhatsApp; atendemos empresas de Goiânia e região, com o exame integrado aos demais complementares do PCMSO.