Quando a função muda, o risco também muda
Imagine uma auxiliar de escritório que passa a supervisionar a área de produção, ou um ajudante geral que começa a operar uma empilhadeira. O contrato é o mesmo, mas o dia a dia agora envolve ruído, poeira, produtos químicos ou trabalho em altura. O exame de mudança de risco ocupacional serve para checar, antes da troca, se a saúde dessa pessoa é compatível com as novas exposições.
O nome antigo, "mudança de função", ainda é muito usado no dia a dia. A NR-7 passou a falar em mudança de risco, o que deixa claro o critério: o que importa não é o nome do cargo, e sim a exposição.
Situações que costumam exigir o exame
- Transferência do setor administrativo para a área operacional.
- Início de atividades com exposição a ruído, vibração, calor ou agentes químicos.
- Inclusão de tarefas em altura, em espaço confinado ou com eletricidade.
- Passagem a funções de condução de veículos ou operação de equipamentos móveis.
- Mudanças no processo produtivo que tragam novos agentes ao mesmo posto.
E quando alguém deixa um posto exposto para trabalhar em outro sem aquele risco? Nesse caso, o médico avalia se vale registrar exames que mostrem a condição de saúde ao fim daquela exposição, conforme o PCMSO.
Como saber se a mudança altera os riscos
A resposta está nos documentos de SST da empresa. O PGR traz o inventário de riscos de cada função ou grupo de exposição, e o PCMSO define os exames ligados a esses riscos. Comparando a função antiga com a nova, fica claro se há riscos diferentes. Se a empresa não tem esses documentos atualizados, a análise fica frágil, e vale regularizar antes.
A NR-7 determina que o exame seja feito antes da data da mudança. Combine o agendamento com o gestor da área para que a transferência não comece sem o ASO.
Etapas do atendimento
- Informação da mudança. O RH envia a função atual, a nova função e a data prevista para a troca.
- Definição dos exames. Com base no PCMSO, identificamos os exames complementares que a nova função exige.
- Exames e consulta. O trabalhador realiza os complementares e passa pela avaliação clínica, que considera as novas exposições.
- ASO de mudança de risco. O atestado registra a nova função, os riscos considerados e a conclusão do médico.
Exemplo prático
| Antes | Depois | O que pode entrar no exame |
|---|---|---|
| Recepcionista | Auxiliar de almoxarifado com movimentação de cargas | Avaliação clínica com atenção ao sistema musculoesquelético e exames previstos no PCMSO |
| Auxiliar de produção | Operador em área com ruído elevado | Avaliação clínica e audiometria |
| Técnico de manutenção em solo | Técnico que executa serviços em altura | Avaliação clínica e exames definidos no PCMSO para trabalho em altura |
Os exemplos são ilustrativos. Cada empresa tem seu PCMSO, e é ele que define a lista correta.
Quem informa a mudança
O gatilho do exame quase sempre está fora do RH: é o gestor da área que decide transferir alguém, ou a engenharia que muda um processo. Por isso vale criar uma regra simples na empresa: toda movimentação interna passa pelo RH antes de acontecer. Assim o exame entra no planejamento e não vira pendência.
Por que tratar a mudança de risco com a MT13
Muitas empresas só lembram do exame depois que a pessoa já está na nova função. Nós ajudamos o RH a incluir essa etapa no fluxo de movimentação interna, com agendamento pelo WhatsApp e conferência dos exames necessários. O ASO sai alinhado ao PCMSO e o histórico fica completo para os próximos exames ocupacionais. Atendemos empresas de Goiânia e de toda a região metropolitana.